Dia do Rio Tijucas
Rio Tijucas
O rio Tijucas (Tiyuco na língua dos índios), nasce na serra da Boa Vista numa altitude próxima dos 1000 m, no município de Rancho Queimado. Passa entre a sede do município e o distrito de Taquaras, passa ao oeste de Angelina e, próximo à pequena localidade de Garcia, recebe as águas do rio Engano, vindo do oeste. Passa também ao oeste das cidades de Major Gercino e São João Batista, onde recebe as águas do rio do Braço e a partir de onde passa a correr paralelo à rodovia SC-411, passando então por Canelinha e finalmente banhando a cidade de Tijucas onde cruza com a rodovia BR-101, na qual há duas grandes pontes. Poucos quilômetros após, deságua no oceano Atlântico, a cerca de 50km ao norte de Florianópolis.
"Um rio é algo mais que um acidente geográfico, uma linha no mapa, uma parte do terreno imutável. Ele não pode ser retratado adequadamente em termos de topografia e geologia. Um rio é um ser vivo, um ser dotado de energia, de movimento, de transformações.
Um rio é vivo na medida em que contém infra-estruturas vivas. Tal como o sangue que circula em nossas veias, o rio contém células que nutrem e que respiram oxigênio. Quando morto, essas células perecem, e ele se decompõe; proliferam, então, os seres que produzem a sua degradação, e ele exala os odores mefíticos da putrefação. O rio poluído é um rio morto.
Um rio pode morrer por falta de alimento, como qualquer ser vivo; e também, como qualquer ser vivo, pode morrer de indigestão. À indigestão segue-se a asfixia, isto é, o oxigênio disponível torna-se insuficiente à sua respiração, ou seja, à oxidação de todo alimento que foi ingerido. Ele morre tranqüilamente, sem dores, sem estremecimentos e, rapidamente, o cadáver entra em decomposição.
O rio nasce, sempre numa região elevada. Pode ser no alto de uma montanha. Em sua infância, é leve e irrequieto, como qualquer criança ou animal novo: corre, salta, ora atirando-se de grandes alturas, ora cascateando ruidosamente por entre os seixos, ora descansando, ofegante, em seu leito de areia branca e brilhante. Seu aspecto é sadio e límpido, irradiando pureza; seu corpo é fresco como o orvalho da manhã; sua cor é o puro azul do céu refletido. Seu alimento é o que lhe proporciona o seio fértil da Terra-mãe.
Depois cresce. Suas águas se avolumam. Torna-se majestoso e tranqüilo. Viaja. Percorre grandes planícies, profundos vales, circunda montanhas, salta perigosos penhascos. Conhece o homem. Avizinha-se de suas cidades, trabalha para ele – move seus engenhos, transporta suas embarcações, dessedenta-lhe os rebanhos e as plantações, oferece-lhe seus peixes e prova o sabor amargo de sua ingratidão.
A princípio, sente-se beneficiado e recompensado pelo auxílio prestado. O homem represa-o, sofreando seu ímpeto juvenil, domesticando-o e oferecendo-lhe amplos leitos para seu repouso. Além disso, ao irrigar as plantações, recebe pequenas parcelas dos mesmos alimentos empregados na lavoura para dar viço às plantas. Sente-se fortalecido; suas células reproduzem intensamente, captando as energias que o sol proporciona prodigamente às suas águas tranqüilas e cristalinas e produzem alimento farto e oxigênio abundante aos seus peixes. De repente, porém, sente-se traído. As águas que ele, de forma tão benigna, oferecia ao homem para saciar-lhe a sede, são-lhe devolvidas carregadas de imundices. Alimento, sim, mas impregnado de tantas substâncias estranhas e bactérias nocivas que lhe é difícil digerir. Além disso, em tão grande quantidade que a maior parte permanece indigesta, formando um lodo escuro e fétido, em seu leito, ou em fina suspensão, em suas águas, impedindo a penetração benéfica dos raios de sol e soterrando pequenos e indefesos animais.
E não é só isso. Ao passarem suas águas pelo interior das indústrias tornam-se veículos de toda a sorte de tóxicos, detritos, graxas, sabões, tintas e outros muitos compostos que conspurcam totalmente aquilo que fora outrora seu maior motivo de orgulho: sua espelhada superfície azul. Ao sair da cidade ele sofreu uma total transformação. Suas águas tornaram-se negras e fétidas. Seu leito é sujo e lodoso. Sua superfície é coberta dos mais variados tipos de corpos flutuantes: uma camada de óleo impede seu crispar de prazer ao roçar acariciante da brisa; espessas crostas de espuma acumulam-se em suas curvas, outrora graciosas; borbulhas de gases mefíticos, desprendidos de seu leito, explodem à superfície, formando pequenos círculos concêntricos na água negra e pesada; latas velhas, papéis e toda uma enorme variedade de imundícies são transportados juntamente com a multidão dos cadáveres de seus peixes asfixiados, envenenados, destruídos pela insalubridade do ambiente.
E o rio, em sua plena juventude, sente essa asfixia. Sente o envenenamento. E morre. Miríades de pequenos gérmens tomam conta de seu corpo, destruindo suas células, seus peixes, suas plantas, produzindo o seu apodrecimento. O mau cheiro, agora, não se desprende apenas do lado precipitado no leito, mas sim de toda água, em todos os seus níveis. Suas águas – se ainda merecem esse belo nome – não mais transportam a vida; somente a morte. De Danúbio ele passou a Aqueronte."
Fonte: www.wikipedia.org
www.gpca.com.br
29/06/2010