Deixe o seu carro em casa

Deixe o seu carro em casa

Escritório do Greenpeace em São Paulo se muda para as ruas no Dia Mundial sem Carro. Na atividade vaga-viva temos placas solares para carregar nossos laptops, oficina de reciclagem e pintura no rosto para crianças. Foto Greenpeace.

    No Dia Mundial sem Carro, o escritório do Greenpeace Brasil se muda para a Avenida Paulista para lembrar que o Brasil ainda desconhece a gravidade das emissões de gases do efeito estufa provocada pelo setor de transportes.

    O Greenpeace saiu hoje às ruas para participar das atividades pelo Dia Mundial sem Carro, pedindo a atenção do Poder Público ao Setor de Transportes para incentivar um estilo de vida menos dependente de carros, com menos poluição, trânsito, e dióxido de carbono. Em São Paulo, o escritório da organização “se mudou” para a esquina da Rua Itapeva com a Rua São Carlos do Pinhal, próximo à Avenida Paulista com sala de reuniões e laptops alimentados com a energia proveniente de uma placa solar.
    A atividade conhecida como Vaga Viva também aconteceu em Manaus, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A manifestação pacífica ocupou legalmente uma vaga para carros na Alameda Campinas, na capital paulista, buscando chamar atenção para a necessidade de investir em métodos alternativos de locomoção, melhorar a qualidade do inventário de emissões de veículos nas capitais brasileiras e exigir melhor contrôle de emissões das frotas de ônibus e caminhões do país.
    O setor de transportes representa 8,6% do total das emissões do país e mesmo assim tem ficado renegado pelo Poder Público brasileiro. No plano nacional, o Governo Federal divulgou em dezembro passado, durante a Cúpula do Clima em Copenhague, uma meta de redução das emissões entre 36,1% e 38,9% até 2020,. Este compromisso, assumido voluntariamente pelo Brasil, está previsto na Lei que institui a Política Nacional sobre Mudanças do Clima – aprovada também em dezembro de 2009. Ela define a formulação de planos para redução das emissões por setor de atividade econômica. O setor de transportes ficou de fora desse planejamento, como se não merecesse ser tratado prioritariamente. 
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    Em São Paulo, a Política Estadual de Mudanças Climáticas, aprovada igualmente no ano passado e regulamentada em junho de 2010, prevê que o estado reduza em 20% suas emissões de gás carbônico (CO2) até 2020, em relação aos níveis de 2005. Novamente, o setor de transportes, responsável por cerca de 50% das emissões de CO2 paulistas, não foi levado em consideração. Não há estratégia, metas e portanto vontade para abordar questões fundamentais como programas para renovação da frota caminhões ou políticas de incentivo ao transporte não-rodoviário. 
    “É preciso que se tenha em mãos os Inventários Nacional e Municipais de Emissões de Gases de Efeito Estufa atualizados e um Estadual elaborado. Só com eles será possível para o Poder Público e empresas definirem políticas para redução das emissões desses gases”, afirma Nicole Oliveira, coordenadora da campanha de Clima do Greenpeace Brasil.
    Abrir mão do carro significa alterar o estilo de vida das pessoas, por isso, é um processo que não acontece da noite para o dia. São décadas de incentivo econômico, político e cultural a esse tipo de transporte. Mas o Greenpeace ressalta também o estímulo à mudança, incentivando o transporte coletivo, a carona solidária e meios alternativos de transporte.

Fonte: www.greenpeace.org

22/09/2010